13 de julho de 2010
A moda do momento é os adesivos de bonequinhos. Para quem não conhece, basta observar a traseira dos veículos de Carazinho e da região. É impressionante a proliferação dos desenhos coloridos representando a família. Tem avô, avó, pai, mãe, filhos e até cães e gatos. Como toda moda gera polêmica, eis a pergunta do momento: a moda do adesivo é bonitinha ou perigosa?
Conheci os tais adesivos há algumas semanas, quando minha namorada olhou para mim e disse que tinha uma surpresa. De repente, puxou o casal desenhado e foi sorridente colar no carro. Gostei dos tais adesivos. São simples, diferentes e, mais que acessórios veiculares, representam sentimentos. Retratam relações através de identidades em miniatura que nos trazem lembranças e valores. Cada adesivo é um avatar.
Pois lendo artigos na internet, descobri que a moda dos adesivos anda causando pânico em muita gente. Para muitos, a febre causa literalmente dor de cabeça ao expor o proprietário do veículo e os familiares, tornando-os alvos para bandidos e oportunistas. Uma frase lida em um fórum me chamou a atenção: “afetividade se demonstra com atitudes e não com adesivos na traseira do carro”. Será?
Não consigo ver perigo nestes adesivos. O que para muitos é uma superexposição, para mim é uma brincadeira divertida com sentimentos reais. Duvido que um ladrão vá contar o número de adesivos para assaltar alguém, muito menos planejar um crime baseado no “retrato” familiar do carro. Vejo esta nova moda como uma oportunidade para valorizar as pessoas que se ama e, mais que isso, orgulhar-se de quem nos faz feliz.
Todos os dias, quando faço a volta na garagem e olho o meu carro, lembro de minha namorada. Ao ver minha família no carro do pai, tenho na memória cada um de nós e percebo o quanto isso é valioso. Encontro motivos para viver, trabalhar, aprender e crescer. Uma lembrança do quanto somos importantes e precisamos seguir o nosso caminho em busca de felicidade.
Como eu, tenho certeza que muitos fazem o mesmo. Assim como há outros que, sozinhos ou sem uma pessoa querida que já partiu, lembram com pesar da falta que alguém especial faz na vida. Apesar disso, encontram nos adesivos a origem da própria existência, seja nos diversos avatares da história ou na única caricatura em busca de completar este “álbum de figurinhas” da vida.
A moda dos adesivos pode ser vista como nociva, mas em tempos de tanta perdição, absurdos e falta de caráter e valores, poder colar uma família ou um relacionamento é sinal de orgulho e amor, sentimentos que nenhum bandido poderá levar e nunca mais devolver. Certa vez, o dramaturgo francês Armand Salacrou disse que “um homem sem lembranças é um homem perdido”. Temos história e lembrá-la com um gesto simples de amor é um dever que todos deveriam colar para sempre na consciência.
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