15 de julho de 2010
Quem mora no Rio Grande do Sul já ouviu falar da expressão “falta de laço”. Ela é usada quando o gaúcho se depara com uma atitude absurda, errada ou sem critério. Traduzindo para o bom português: se faltou laço, faltou postura firme dos pais na educação. Não significa violência, mas responsabilidade. Pois o projeto de lei que proíbe as palmadas é uma demagogia típica de falta de laço.
A proposta proíbe a prática de castigos corporais em crianças, incluindo palmadas e beliscões. O encaminhamento da proposta ao Congresso marcou os 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Além da proibição, União, Estados, Distrito Federal e município terão de fazer campanhas educativas para orientar os pais e evitar que as crianças sejam vítimas de maus-tratos. A educação deve ser baseada somente no diálogo e no bom exemplo. A ideia é boa, mas na prática tudo é diferente.
A proposta é absurda por vários motivos. Primeiro porque o Estado não tem o direito de interferir na repreensão dos filhos. Antes disso, deveria cumprir com a obrigação de oferecer estrutura, educação, saúde, oportunidades e segurança, o que, aliás, é um dever não cumprido. É preciso ficar claro que repreender uma criança é um ato natural, pois ela está aprendendo a viver. Não significa descaso, mas amor. Afinal, repreender não significa agredir.
Coibir a violência é louvável, mas a “falta de laço” é um dos motivos de o Brasil estar desse jeito, com tantos absurdos acontecendo. Não sou pai, ainda, mas já fui filho. Levei meus “laços”, mas nunca fui espancado ou agredido. Digo, hoje, que aprendi muito com isso. Deveria levar e os levaria de novo. A tal palmada não é violência, mas disciplina. Claro que há casos que acabam em agressões físicas e humilhação, porém, generalizar sempre é um erro.
Quem é pai ou mãe sabe que uma palmadinha é um doce remédio quando na medida certa. A criança precisa ter limites. Enquanto os adultos têm a lei, a criança tem a autoridade dos pais. Antes que alguns me crucifiquem, reitero que não estou defendendo a violência ou o espancamento. Isso é deplorável. Falo de bom senso. Ninguém morre levando tapa na bunda.
Assim como eu, a maioria dos adultos de hoje recebeu castigos tradicionais e não ficou traumatizado com isso, muito menos virou bandido. Se cada um que levou umas palmadinhas fosse virar um adulto problemático, quem se salvaria? Em um país de tantas diferenças, generalizar situações familiares é cometer um equívoco gravíssimo.
Nossos avôs falam até hoje de como a disciplina interfere no comportamento. No passado, a postura era outra e o respeito também. Hoje, mima-se muito e permite-se mais ainda. Pura falta de laço. Todos os dias a gente se depara com jovens que roubam sabendo que serão liberados depois devido à fragilidade da lei. Qual é a moral disso? Isso é educar?
Atualmente, há crianças que mandam nos pais, são dissimuladas e com elas só diálogo não resolve. Há adolescentes estuprando e esquartejando meninas. Em Carazinho, há duas semanas, um menor correu armado e dando tiros na Praça Albino Hillebrand. Será por que apanham ou por que falta laço?
Ademais, o Código Penal prevê há 70 anos pena de um a quatro anos de prisão para quem abusar dos meios de correção ou disciplina. Por que ser redundante? Melhor: por que fazer uma nova lei ao invés de cumprir a que já existe? Cabe aos governantes ser mais responsáveis e menos demagogos. Aos pais, cabe encontrar o equilíbrio. Afinal, tudo que é demais faz mal, tanto o “laço” quanto o protecionismo.
Os filhos são o espelho dos pais. São moldados e disciplinados por quem os cria e educa. Dar bons exemplos, agir com honestidade e, principalmente, amor, é o caminho para evitar os tão temidos adultos problemáticos. A disciplina do laço ou “psicolaço”, como muitos dizem, provoca medo e sentir medo não faz mal. O pior é não ter medo de nada e fazer tudo sabendo que nada acontecerá.
Palmadinhas corretivas não são agressões. É preciso dosar, claro, mas o principal mesmo é que os pais se preocupem, acompanhem, corrijam e realmente eduquem os filhos. Trata-se de uma questão de amor e responsabilidade de cada família, sentimentos e atitudes que nenhuma lei será capaz de obrigar. Promover o respeito é um dever, mas a demagogia legal da palmada, desculpem-me, só pode ser falta de laço.
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