16 de agosto de 2010
Viajei a Passo Fundo na semana passada. No caminho, fui ultrapassado por um veículo identificado por uma empresa. Até aí, tudo normal. O problema é que estávamos em uma curva fechada e em local proibido para ultrapassagem. A ousadia perigosa não deu em nada, mas o que mais me impressionou foi ver na traseira do automóvel uma frase batida, mas sempre presente: como estou dirigindo?
O telefone estava logo abaixo. Não me dei o trabalho de anotar, muito menos tive interesse em ligar. Mesmo assim, fiquei pensando o que faria a empresa se soubesse que o funcionário pé na tábua quase havia provocado um acidente. Há muitos automóveis de empresas com essa frase, mas jamais conheci alguém que tivesse ligado para o tal número denunciar a imprudência do motorista. Infelizmente, o alerta é mera formalidade.
O problema é que a tal formalidade põe em risco a vida do funcionário e, mais que isso, de pessoas inocentes que não tem nada a ver com a barbeiragem ao volante. Não é à toa que o trânsito provoca tantas mortes. Até hoje não compreendo por que os motores são potentes para atingir quase 300 km/h se o limite é menos de um terço disso. Ter potência a mais para poder ultrapassar é louvável, mas é preciso tanto? Uma contradição inexplicável e perigosíssima.
Não é à toa que as empresas que dispõem de condições financeiras implantam monitoramento eletrônico da velocidade. Aí, quem passa do limite acaba dedurado pelo computador. A formalidade da frase “como estou dirigindo?” é um típico parecer ser, como diria Nicolau Maquiavel. O problema é que, nos perigosos caminhos do trânsito brasileiro, aparentar respeito pode ser fatal.
Talvez na próxima vez eu anote e ligue para o número telefônico do maluco que me ultrapassar de forma perigosa e tiver a frase emblemática na traseira do veículo. Já pensou a reação do chefe? Pior é se a pressa é por uma ordem do próprio mandatário. Nessas horas, vale a máxima do filósofo inglês Francis Bacon: “o respeito de si próprio é o principal freio de todos os vícios”.
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