28 de agosto de 2009
Esta aconteceu em uma escola estadual de Carazinho. Era hora do recreio. As crianças brincavam como sempre. Alegres, animadas e sem parar um minuto. Corre daqui, corre de lá e, de repente, uma descoberta. Estava no chão, sem uso, abandonado e parecia não ter mais valor nenhum para o antigo dono. Não, não era uma bola ou um carrinho. Era um cachimbo.
As mãos pegaram, os olhos analisaram e a certeza brotou no pensamento: cadê a professora? Lá foi o garotinho, ainda impressionado, mas decidido não só a entregar o artefato curioso, mas buscar explicações para sua aparição assim, do nada. Mal sabia ele que a descoberta impressionou também a professora. Normal, não?
Imagine você que trabalha diariamente com crianças menores de 12 anos. De repente, uma delas corre em sua direção com um cachimbo para fumar droga. Haja coração, diria o famoso locutor da TV. Entre sustos e surpresas, a curiosidade tomou conta. Um desejo insaciável em entender o que, para muitos, a incompreensão é fatal.
A professora pegou o cachimbo e a turma logo se reuniu por perto. A expectativa deles era imensa. Afinal, estava ali uma chance de aprender fora da sala de aula. Não era trabalho de campo ou tema de casa. Pelo contrário, era dever de vida. Depois de uma explicação bem didática, todos saíram.
Na mente das crianças, uma tentativa de compreender como aquilo poderia fazer tão mal e acabar com um futuro. Nos olhares, a oportunidade de ver de tão perto o que tantos condenam e muitos oferecem. No ar, uma certeza: acontecera ali a maior lição do dia. Experiências que os livros não contam. Verdades, que o “X” marcado no papel não revela.
A droga corrói a sociedade. Não há mais limite para a perdição. Crianças e adolescentes estão crescendo na fumaça e no pó, mas não é da poeira do campinho de futebol, infelizmente. Em Seberi, meninas de 14 e 15 anos carregavam 40 quilos de maconha nas mochilas. Até onde vai?
Além de mostrar como somar ou subtrair, ler e escrever, a escola precisa ensinar a viver. Não adianta nada um intelectual drogado. O mundo é maior que uma sala de aula e, principalmente, que conteúdos didáticos básicos de uma educação carente e precária na rede pública. Os professores formam o futuro, querendo ou não.
A cada dia que passa a droga corrompe ainda mais. Na Delegacia, as ocorrências por furto ou roubo se amontoam. As agressões aumentam, os pais perdem o controle e, pasmem, crianças encontram cachimbos na pracinha. A situação é caótica e, aos que pensam no próximo, não há nada mais certo a fazer que prevenir e ensinar.
Quis o destino que as criancinhas da escola olhassem com desconfiança e dúvida para o cachimbo. Talvez pudessem ter simplesmente guardado no bolso para o próximo recreio ou para o fim da aula. Até onde vai? Há males que matam mais que uma gripe. A diferença é que nessa luta, só nos resta fazer o contrário: tirar a máscara e abrir a boca.
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