16 de jan. de 2011

De volta, cinco meses depois

A Entrelinhas está de volta. Mais um recomeço, desta vez no mundo dos blogs. Obrigado pela visita. Para recomeçar, vamos relembrar o último texto publicado, um "até breve" escrito em 17 de agosto de 2010.

Fim da linha, bola para frente

Há semanas eu não jogava bola com meus irmãos. O sol saiu no sábado à tarde e, como durante muitos dias de nossas vidas, lá fomos nós para os fundos de casa. Na grama, uma brincadeira para lembrança eterna. Fui para o gol, os guris para a linha e jogamos por duas horas. Já era quase noite quando um chute despretensioso passou por cima do travessão e conduziu a bola até a rua.

O muro não é tão alto. Por isso, é comum que a bola caia na rua. Mal ela rompe a barreira, o batedor apressa-se em buscá-la. Sempre foi assim. Passaram-se cinco minutos e nada do retorno. Fomos conferir e surpresa: a bola sumiu. Não estava em lugar algum, muito menos desceu para a rua de baixo. A única maneira de a bola desaparecer era alguém ficar a esperando no outro lado do muro, mas não havia vestígio nenhum.

Procuramos a bola por uns 30 minutos. Olha dali, remexe de lá e nada. Voltamos para casa de mãos vazias. Percebi nos olhos do meu irmão mais novo uma decepção e, confesso, também fiquei triste. Foi então que decidimos pensar juntos que as bolas passam e são substituídas, mas nunca os momentos de alegria, desafio, carinho e cumplicidade que proporcionam a cada lance e trajetória. A lembrança boa é eterna.

Na vida, muitas vezes é preciso passar a bola para frente. Nada é insubstituível, mas sempre será inesquecível, ainda mais quando falamos em momentos felizes. As oportunidades aparecem, os sonhos se concretizam e somos desafiados a aprender a difícil arte de dizer adeus. Despedidas sempre são árduas, porém, saudades não quer dizer que estamos longe, mas que uma dia estivemos juntos e valeu a pena.

Em 10 de agosto de 2009, abri as Entrelinhas falando sobre recomeço. Estava tudo iniciando mais uma vez. “Mudar ou não mudar, eis a questão. O tempo se encarrega de mostrar se a estrada escolhida é a certa ou não. Caso seja, é só seguir em frente e encontrar o destino. Caso contrário, serão poucos minutos até encontrar a rota para, mais uma vez, recomeçar”.

Aquele pênalti voou para longe do gol e a bola se perdeu no céu azul. Avançou, seguiu em frente rumo a outros campos, pés, mãos e redes, mas não terminou. O carinho que recebeu e deixou estarão sempre marcados no couro da vida e costurados no coração com a linha da felicidade e gratidão. O mais importante, porém, é saber que, ao fim do dia, podemos voltar para casa abraçados e felizes para relembrar como tudo começou.

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