22 de fevereiro de 2010
O cinema é cultura e aprendizado, definitivamente. No sábado, vi o desenho animado UP – Altas Aventuras. Uma inocente historia de um menino que busca um sonho e o realiza quase aos 80 anos, quando todos, e até mesmo ele, duvidavam que seria possível. Dizem que o desenho animado é apenas diversão, porém, ele pode ser sim uma lição de vida. A singeleza de um conto que faz pensar que pode se ir muito mais além quando se conclui que já é o bastante.
Carl Fredricksen é um vendedor de balões. Aos 78 anos, ele está prestes a perder a casa em que sempre viveu com sua esposa, a falecida Ellie. O terreno onde a casa fica localizada interessa a um empresário, que deseja construir no local um edifício. Após um incidente em que acerta um homem com sua bengala, Carl é considerado uma ameaça pública e forçado a ser internado em um asilo. Para evitar que isto aconteça, ele enche milhares de balões em sua casa, fazendo com que ela levante vôo.
O objetivo de Carl é viajar para uma floresta na América do Sul, um local onde ele e Ellie sempre desejaram morar. Para isso, ele conta com a inesperada ajuda de um persistente explorador da natureza de apenas oito anos de idade, chamado Russell. Olhando assim, parece mais um daqueles filmes de entretenimento, porém, há cenas e momentos que o espectador repensa a correria, os desafios e a própria vida.
Carl e Ellie sempre sonharam morar próximo a uma cachoeira na América do Sul. Ela tinha até um álbum com a inscrição “Coisa que eu quero fazer” para registrar os momentos quando o sonho se tornasse realidade. A morte de Ellie sem concretizar o desejo parece fazer com que tudo seja impossível. De repente, pressionado pelo destino, Carl decide arriscar e alcançar o que deixou para trás.
É engraçado ver a casinha deles subindo pendurada a milhares de balões coloridos. Quando Carl chega perto do sonho, há uma cena marcante. Os balões começam a murchar e a casa não levanta mais vôo. Então, ele começa a jogar fora objetos, móveis, porta-retratos e muitos itens de sua historia para poder subir novamente. Em poucos segundos, joga fora o seu passado por um futuro diferente. Despede-se da vida que construiu para atingir o que sempre sonhou.
A cena é emocionante e, ao mesmo tempo, um perfeito momento de auto-reflexão para quem vive preso ao passado, às dores, às perdas e até às conquistas hoje registradas apenas por troféus empoeirados e esquecidos no tempo. Ensina a lição que sempre é possível alcançar os sonhos, mas que isso é impossível se não se desprender do passado. Para subir, é preciso querer, ousar e, por que não dizer, admitir as perdas.
Talvez as crianças que assistam ao filme não percebam tamanha magnitude nos traços engraçados e nos lindos gráficos desenhados via computador. Somente irão rir, se divertir e esquecer. Para quem olhar com atenção, porém, UP – Altas Aventuras é um recomeço em que o tempo não é limite. Afinal, sempre há tempo para recomeçar e, como disse certa vez o eterno piloto Ayrton Senna, que voava sem limites pelas pistas, “não podemos fazer um novo começo, mas podemos recomeçar e fazer um novo fim”.
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